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Primeiro offshore do Brasil pode operar em 2027 no RN

  • Foto do escritor: Na Voz do Interior
    Na Voz do Interior
  • 26 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Com aval inédito, o Rio Grande do Norte entra para a história como um dos vetores da transição energética ao se tornar o primeiro estado a viabilizar um projeto de energia eólica offshore. De acordo com o diretor do Senai-RN e do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, a previsão é que a planta-piloto entre em operação em até 36 meses e, na estimativa mais otimista, até o final de 2027. O projeto, que será implantado no município de Areia Branca, recebeu do Ibama na terça-feira (24), a primeira licença ambiental do Brasil para um empreendimento do tipo. A planta funcionará como Sítio de Testes, para subsidiar o desenvolvimento da geração offshore em território nacional.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O projeto-piloto prevê a instalação de dois aerogeradores, com potência somada de 24,5 megawatts (MW), a cerca de 20 quilômetros da costa. A energia produzida será utilizada para abastecer o Porto-Ilha de Areia Branca, principal terminal de escoamento de sal do País, em substituição à atual geração efetuada por meio da queima de combustíveis fósseis. Mais do que um projeto de geração, a iniciativa se propõe como plataforma de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com foco na validação de tecnologias nacionais voltadas à fundação e à torre de turbinas eólicas offshore.


Foto: Reprodução
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Ao longo do processo, o experimento também permitirá a análise de impactos ambientais no ecossistema marinho e nas atividades socioeconômicas da região, bem como a identificação de necessidades em formação profissional e qualificação de mão de obra.


De acordo com o diretor do Senai-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello, o processo até a emissão da licença foi longo e exigiu articulação com diferentes instituições. “Isso é uma sensação de orgulho de ver, não cumprido, mas iniciado, e reconhecimento pelo time do Senai e por todas as empresas e instituições envolvidas. Esse é um processo, além de grande, simbolicamente impactante, é um processo literalmente desbravador”.


A licença prévia do Ibama tem validade de cinco anos e antecede a licença de instalação, próxima etapa do cronograma. “Tivemos que construir caminho, discutir com a equipe do Ibama, passo a passo. Isso durou um ano e meio, não foi do dia pra noite, até que a gente concluísse o relatório de impacto ambiental. E além do relatório, várias outras reuniões com a comunidade local, com as empresas envolvidas, com Marinha, universidade. Enfim, é realmente um projeto muito abrangente que fará diferença histórica para a indústria de geração de energia no ambiente offshore no nosso País”, destaca Mello.


De acordo com os responsáveis pelo projeto, o Sítio de Testes tem como finalidade o desenvolvimento de soluções tecnológicas adaptadas às particularidades do litoral brasileiro, com ênfase nas condições do Nordeste. A região que se estende do Rio Grande do Norte até o início do litoral do Piauí apresenta características naturais muito específicas, como profundidade do mar e tipo de solo, que exigem adaptações de tecnologias já existentes. Além do aspecto técnico, o projeto também busca promover a inclusão das comunidades locais e fortalecer a cadeia de fornecedores da região.


A ideia, explica Rodrigo, é também priorizar o conteúdo nacional e evitar a dependência de soluções importadas que não gerem benefícios diretos ao País. A proposta é fomentar uma cadeia nacional de suprimentos e qualificação de mão de obra. “Porque não faz sentido a gente pensar simplesmente, e a Europa compra toda a tecnologia, compra tudo, traz gente qualificada, traz equipamento de montagem, monta e vai embora, e o Brasil fica como o local que está sendo gerado a riqueza, mas não gerando a riqueza”, pontua Rodrigo Mello.


Próxima fase: captação de investimentos


Com a licença prévia emitida, o Senai-RN trabalha agora na estruturação financeira e técnica da próxima fase. Um edital deve ser lançado até agosto para atrair empresas interessadas em participar do projeto. “Esse é o pontapé inicial, foi a licença. Agora nós devemos abrir um projeto multicliente de captação de investimento das instituições interessadas, as indústrias. A gente passa um ano e meio, mais ou menos, fazendo, concluindo os projetos básicos, executivo, orçamento, cronograma, de engenharia em si, e mais um ano e meio, fazendo a montagem e construção até o comissionamento final dessa planta”, detalha.


A estimativa é que o processo completo dure até 36 meses. Segundo Rodrigo Mello, há esforço para concluir a implantação até o final de 2027. “Isso se dará, portanto, dentro de uns 36 meses, até estar comissionado e o Brasil ter o primeiro aerogerador instalado no ambiente offshore. Eu estou com a meta de trabalhar isso até o final de 2027. O prazo é de até 36 meses para a gente entrar em operação, mas eu acho que a gente consegue finalizar em 2027”, diz.


Além da produção de energia, o projeto tem como missão gerar dados sobre o comportamento de equipamentos em ambiente marítimo, impactos ambientais, e viabilidade socioeconômica. Os resultados obtidos poderão ser utilizados como base para outros empreendimentos e políticas públicas voltadas à energia offshore. O projeto também vai avaliar eventuais alterações na fauna marinha, presença de aves, mudanças no fundo do mar e impactos nas comunidades locais.


A iniciativa será conduzida pelo Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), com sede em Natal, que já realiza pesquisas em energia solar, eólica, hidrogênio verde e armazenamento de energia. A experiência do instituto e sua estrutura laboratorial deverão ser fundamentais para a coleta e análise dos dados ao longo da operação do Sítio de Testes.


tribunadonorte

26/06/2025


 
 
 

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