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Inverno aumenta chances de crises asmáticas

  • Foto do escritor: Na Voz do Interior
    Na Voz do Interior
  • 2 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

A chegada do inverno representa um desafio para o controle da asma, uma doença inflamatória que atinge as vias aéreas e acomete aproximadamente 20 milhões de pessoas no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Isso porque, de acordo com o pneumologista Thiago Dantas, da Unidade de Terapia Intensiva Adulto do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), da rede Ebserh, a oscilação climática, que traz junto o acúmulo de chuvas, provoca o aumento da presença de fatores como mofo, por exemplo, que levam à manifestação da doença.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Além disso, o médico lembra que em junho, quando se inicia a estação de temperaturas mais baixas, é comum a presença de fogueiras no Nordeste por causa dos festejos do mês, o que configura um risco alto para a manifestação da doença. A asma não tem cura, sendo o controle feito por meio do uso de medicamentos como as famosas bombinhas, e o combate aos fatores de exposição, como ácaros, fungos e fumaça. O contato com animais de estimação também deve ser evitado.


Para Thiago Dantas, a presença maior de chuvas no inverno provoca infiltrações em residências, o que leva ao acúmulo de mofo, um dos chamados gatilhos para a doença. “Também no inverno, tem a situação em que as pessoas ficam mais aglomeradas por conta das chuvas, sem falar nas fogueiras juninas, que a gente considera a pior inimiga para a asma”, afirma o médico. Ele chama atenção para o fato de que outras infecções respiratórias costumam aparecer com maior frequência neste período, como a gripe (provocada pelo vírus Influenza) e que ajudam a descadear crises asmáticas.


“A gripe é a mais comum, mas também temos o rinovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR). E não podemos nos esquecer de que a covid-19 agora está entre nós. Os meses de inverno [de junho a setembro] são os que mais chamam atenção, por conta dos problemas que vêm com as chuvas e a oscilação do clima”, afirma Thiago Dantas.


O pneumologista explica que a asma é uma doença infamatória que afeta os brônquios, os responsáveis por transportar o ar para dentro e fora dos pulmões. “Pessoas asmáticas têm um estreitamento do diâmetro dos brônquios, e isso provoca dificuldade para a saída do ar que entrou nos pulmões. Por consequência, vem a sensação de falta de ar”, diz o médico. Os sintomas são tosse, chiado no peito e cansaço. Os impactos vão além, prejudicando a qualidade de vida, especialmente, o sono.


A maior incidência de crise tende a levar o paciente mais vezes ao pronto-socorro. As recomendações para o controle da doença, aponta o médico, passam pela eliminação dos gatilhos causadores. “É importante controlar as áreas de umidade da casa, evitando infiltrações. Deve-se evitar, ainda, o uso excessivo de substâncias irritantes, como o cloro e a água sanitária. Outra questão são os amaciantes, sabonetes e perfumes de cheiro forte, os quais também devem ser evitados”, ensina o pneumologista.


Como as pessoas tendem a passar mais tempo em casa nesta época, o médica alerta que é preciso uma atenção maior à remoção de poeira dos cômodos, o que pode ser feito com o uso de um pano úmido em áreas como o piso, por exemplo. “E se for necessário ligar o ar-condicionado, mesmo em cidades úmidas como Natal, é preciso o cuidado de deixar a temperatura em torno de 24 graus para tornar o ambiente menos seco. No interior do estado, onde o clima já é naturalmente seco, deve-se utilizar algo que umidifique o ar”, diz.


O ventilador precisa ser um ponto de cuidado, segundo ele. “Quando o aparelho joga aquela poeira diretamente no rosto, pode desencadear um nova crise. Em relação aos animais, o ideal é não deixá-los dentro de locais como o quarto de dormir. Se possível, não faça fogueiras nem coloque fogo em lixo e evite aglomerações”, alerta Dantas.

Manter as vacinas contra gripe e covid-19 em dia é importante, já que os vírus respiratórios são muito comuns no inverno e no outono. “Faça consultas médicas regulares para controlar o processo inflamatório com medicamentos disponíveis, inclusive, em farmácias populares e na Unicat. Quem fuma, não deve fazê-lo se quiser controlar as próprias crises ou as crises de quem está ao redor”, ensina Thiago Dantas.


tribunadonorte

02/07/2025


 
 
 

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